segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Vamos discutir um pouco sobre o caso do ex-goleiro Bruno?!?

TEXTO 01:

Se Bruno não apagaria nada, é sinal de que faria tudo de novo? 

O goleiro Bruno foi liberado da cadeia, veja só, a tempo de pular o carnaval! Bruno, que foi condenado a vinte e dois anos e três meses de prisão, foi solto após seis anos e sete meses preso. Menos da metade. Achou que foi rápido? Está chocado? Era para ter sido antes ainda. Atrasou! O alvará foi parar na comarca errada. O ministro responsável pela liberação do alvará, Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), admite que a decisão não foi "politicamente correta", mas alega que agiu de acordo com a lei. Não é mesmo? 

Sabe o que é politicamente correto? É ser justo com todos. É a Justiça ter a mesma lisura e velocidade para todos. Pobres e ricos. Famosos e desconhecidos. Não só os mesmos de sempre. A lei que se apressa para ser justa com Bruno, o suspeito de um crime horroroso, é a mesma que falha com Elisa Samúdio e a dor de sua família. Esse é nosso enorme problema: a lei brasileira. Cega, com as mãos ocupadas com uma balança, aparentemente desregulada, nossa lei não percebe o que acontece em volta. Ignora, principalmente, os pobres. Os trabalhadores honestos que lutam e nem sempre são respeitados em seus direitos. As mulheres vítimas de agressões. Os desvalidos em geral. Para uns, a lei é veloz. Outros morrem e não a veem. Uns a conseguem com uma facilidade que choca. Outros, nunca. Nossa lei precisava de uma ajuda. Um cão guia? Uma bengala? Sinais sonoros? Algo que a guiasse pelo caminho do bem. Sem tantos tropeços. 

Ouvimos diariamente as declarações mais descaradas. Na tela, nas páginas dos jornais, não se vê dó, piedade ou culpa. No caso do Bruno, o deboche choca:  "-- Mesmo que recebesse pena de prisão perpétua, não ia trazer a vítima de volta." Mas a vítima não estava só sumida? Não era o que ele falava? Se ela não volta, é sinal de que ele sabe que ela está morta? Como ele tem essa certeza agora? Estranho, não? 

A prisão de um criminoso não serve para trazer de volta quem ele, supostamente, matou. Isso é de um cinismo grotesco. A prisão de criminosos serve para proteger os que não matam por nenhum motivo. Os que resolvem suas questões de forma honesta. Serve para a gente poder olhar nossos filhos nos olhos e dizer para eles que todo ato tem retorno. Que tudo tem seu preço. Que o que machuca o outro não pode ser feito. Que é preciso seguir leis e regras. 

A grande questão nossa é que há pessoas que, por várias questões, acabam presas. Mas têm a chance de se recuperar. E merecem essa oportunidade. Outras não se recuperarão jamais. O Brasil não está preparado para lidar com certos tipos de criminosos, Principalmente com os que agem friamente. Calculadamente. Sem a menor empatia pela dor alheia. Sem a mínima preocupação pela humilhação que causam. Os descritos pelos livros de psicopatologia como psicopatas. Psicopatas podem ser goleiros, políticos, qualquer coisa. Se caracterizam por parecerem muito simpáticos, maneiros. Queridos do povo, até. No fundo, são cruéis. Burlam, dão jeitinho, abrem portas por meios escusos. Tiram quem precisar da frente. Do jeito que for preciso. Podem acabar com a vida de uma pessoa num piscar de olhos. Ou de muitos, levando estados inteiros à falência. Eles não ligam. Não têm dentro delas a capacidade de empatia pela dor alheia. Passam atropelando quem ou o que estiver na frente. Seu desejo é prioridade absoluta. E isso não tem cura. Não tem jeito. 

O que ele fala sobre seu passado? "-- Eu não apagaria nada". Se não apagaria nada, então é porque faria de novo? Por que não? Essa pessoa é suspeita de matar uma moça. Mãe de seu filho. Não estamos falando de uma pessoa num momento de raiva. Estamos falando de um assassinato premeditado. Frio. Com sinais de tortura e requintes de crueldade. Nossas leis são porosas, esburacadas. Com brechas por onde passam impunes os piores criminosos. Dói ver que estamos num país sem punição, que beneficia criminosos. E ensina que tudo pode. Educar por aqui é difícílimo. Como dar limites quando tudo pode? 

Bruno quer voltar à vida. Nem duvido que ele volte ao Flamengo. Nem duvido que ainda seja recebido com festa e aplaudido pela torcida. Afinal, ele é bom goleiro. É preciso garantir o campeonato. Evitar frangos. É o que importa. É? Mundo esquisito esse! 

Elisa era nova. Devia querer viver mais. Tinha um filho para criar. Um bebê. Não pode ver o filho crescer. Do suspeito, nem há remorso, nem há culpa. Nem a menor empatia pelo filho que ficou órfão. Bruno quer voltar à vida? Que bom que ele pode. Elisa também queria. Mas, que pena, não pode mais. 

(Mônica Raoufl El Bayeh - Jornal "Extra" - 26/02/17)


01) O que, para você, seria "politicamente correto" no caso do goleiro Bruno? Comente: 

02) Por que você acha que a autora fez questão de colocar nome e sobrenome de quem soltou o Bruno? Esse dado deveria, segundo você, ser omitido? 

03) Transcreva do texto uma passagem carregada de ironia, explicando-a: 

04) Copie do texto duas antíteses, explicando sua importância para o contexto: 

05) Sublinhe no texto a parte que mais mexeu com você, de alguma forma, explicando o porquê: 

06) Como você se sentiu com essa liberação do ex-goleiro Bruno? O que você pensa sobre isso? Comente:

07) Que mensagem o texto lhe transmitiu?

08) Posicione-se sobre as duas passagens destacadas no texto, explicitando sua opinião:

09) Mesmo se a pessoa tiver um excelente comportamento, você acha que deveria cumprir apenas uma parte da pena indicada? Por quê?

10) Pelas pistas textuais, você acha que a autora pensa que vale a pena dar uma segunda chance ao Bruno? Comprove com uma ou mais passagens do texto:

11) Você contrataria o Bruno como goleiro? Daria uma segunda chance a ele? Justifique sua resposta:

12) Até que ponto se deve (ou não) separar o lado profissional do lado pessoal? Comente:

13) Tente responder à pergunta feita no título do texto em questão (e retomada no texto), explicando o seu raciocínio:

14) O que você gostaria de dizer ao ex-goleiro Bruno? 

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

A greve das mulheres dos PMs. Quando as mulheres resolvem agir.


PMs morrem toda semana. Falta segurança, falta preparo. Falta salário. Respeito. Escalas de trabalho justas e dentro da lei. Como fazer valer seus direitos sem ter direito à greve? Eles nada podem fazer. Mas os parentes podem! Bingo! Eis a grande descoberta.

É duro ver a pessoa amada sair, sem saber se volta vivo. Duro trabalhar e não ter o que comer. Ver os filhos pedindo e não ter dinheiro para atender. Por essas e por outras questões, as mulheres dos PMs resolveram agir.

Com cadeiras de praia, café, suco, lanchinhos. Diria que quase um piquenique. Elas acamparam em frente aos batalhões. Se organizaram para impedir a saída dos PMs dos batalhões.

Centenas? Milhares? Não muitas. Menos de meia dúzia de gatas pingadas. Em alguns batalhões, apenas quatro! Certamente, não o suficiente para impedir o que quer que fosse. Na fila para o show do Justin Bieber, que só acontece em março, tem mais que isso.

Homens fortes, tão valentes, aquartelados por poucas mulheres? Um spray de pimenta? Aquele que eles usam com os grevistas? Ou uma bomba? Uma só. Não botava todo mundo para correr rapidinho? Botava. Mas a questão não é essa. Podia ser uma mulher só. Ou duas, como as que esvaziaram os pneus da viatura sob o olhar complacente dos PMs. Nada seria feito. O bloqueio é simbólico. A resistência possível.

Uma espécie de vamos brincar de faz de conta. Elas fazem de conta que mandam. Eles, que obedecem. A gente, que acredita. Quando a lei nos rouba direitos, é preciso de artifícios. E esse foi até bem esperto. Eles precisam dessas mulheres. Elas são o escudo protetor. O disfarce da greve.

Sou a favor da luta por mais respeito. Sou a favor da luta de peito aberto pelos direitos duramente conquistados durante anos. De todos os trabalhadores. Inclusive os da PM, que costuma atrapalhar bastante a greve alheia.

Mas uma dúvida me atormenta: Se, em vez de mulheres de PMs, fossem professores? Aposentados? Funcionários outros do mesmo estado? Sobreviventes do mesmo abandono? Seriam tratados com a mesma paciência?

Ou seriam arrastados pelo chão, com spray de pimenta na cara? Com bombas, como tantos já foram? Enxotados como vira-latas mais uma vez?

Em casos de PM, é razoavelmente tranquilo deixar os parentes permanecerem na porta do batalhão. Afinal, pense bem, quem vai agredir a família dos PMs? Quem enfrentaria? Quem peitaria tal atitude? Quem teria tamanha coragem?

Os professores, talvez, em revanche? Não. Professores lutam com giz. Com o poder da palavra. São seres de paz. Não dariam esse tipo de troco. Bandidos também não ousariam tanto. Então é seguro. Tranquilo. Conveniente.

Toda paralisação traz prejuízos. Faz parte. É a moeda que cada um tem. O Rio que já vive em plena violência, tem piorado bastante. O que me choca, nessa situação, não é o aumento da violência. Faz parte do combo da greve.

Me choca é o apoio das pessoas, na televisão. Essas pessoas tão boazinhas, compreensivas e tolerantes, onde estavam nas greves dos professores que eu não vi? Ou a Educação não é importante? Por que ninguém luta junto quando o assunto é Educação?

A greve é necessária? Sim. As de todos os funcionários do Estado. Por isso, queridos PMs, é hora de deixar nascer um mínimo de empatia. Sofremos igual. Estamos todos no mesmo buraco.

É hora de pensar sobre respeito aos outros grevistas que, na falta de parentes, vão pessoalmente brigar pelo que querem. Que colocam a cara a tapa. E que têm sofrido muito.

Somos todos vítimas, amigos. Todos nós. Indignados com a mesma corrupção. Desconsiderados pelo mesmo desgovernos. Calejados com tanta truculência. Mas partidos, separados, não chegaremos a lugar nenhum.

O poder que nos joga uns contra os outros é o mesmo que nos despe de tudo o que é nosso como direito. Que nos mata sem saúde, sem segurança. Que rouba das nossas crianças um futuro digno e melhor.

O inimigo é outro. Estamos do mesmo lado. Estamos juntos nessa. Somos escravos do mesmo senhor. Basta. O momento é de união. Imagina a gente na mesma luta? O estrago ia ser bom!
Troque as bombas pelo aperto de mão. Baixe a guarda. E o escudo. Olhe a gente no olho. Faz de conta que a gente é parente. A vida já está tão difícil. Um pouco de delicadeza só faz bem. Afinal, simpatia é quase amor.

(Mônica Raouf El Bayeh - Jornal "Extra" - 12/02/17)


01) A autora parece ser contra ou a favor da greve indireta dos PMs? Comente com elemento(s) do próprio texto: 

02) A que a palavra sublinhada no texto se refere? A que classe de palavras ela pertence? 

03) Responda, sinceramente, à pergunta feita no oitavo parágrafo? Justifique sua resposta: 

04) Copie uma passagem do texto em que há ironia, explicando: 

05) Que mensagem o texto lhe transmitiu? Comente: 

06) Explique a passagem destacada no quinto parágrafo: 

07)  Que aparente "incoerência" é levantada pela autora no texto? Por que você acha que ela ocorre? 

08) Circule no texto um exemplo de vocativo, explicando seu raciocínio: 

09) De alguma maneira a charge abaixo dialoga com o texto lido? O que você pensa a respeito disso? Justifique sua resposta: 


10) Que crítica encontra-se embutida na charge a seguir? Podemos afirmar que há ironia presente nela? Explique: 



11) Relacione a charge acima à situação da greve de PM que ocorreu no Espírito Santo e o fato de o próprio povo se aproveitar disso para saquear lojas: 

12) Elabore UM parágrafo dissertativo-argumentativo sobre o tema em questão, utilizando o máximo de argumentos que conseguir para defender o seu ponto de vista: 

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Uma gracinha de música do Moska...


Tudo que acontece de ruim é para melhorar

É tão difícil a gente caminhar
Quando uma estrada não está mais
E ter que construir o próprio chão
Com as incertezas que tiver

Em cada curva pra lá e pra
Qualquer desvio pode transformar
A ponta de um universo em explosão
Coisas pr' um futuro que vier

E tudo que foi dor um dia 
Noutro dia será dia de continuar
Caminhando sob o sol
Até o amor se reinventar
Vida que a gente aprende
Tudo que acontece de ruim é para melhorar
É para melhorar...

(Paulinho Moska) 

01) Posicione-se sobre o título da canção, explicando seu raciocínio:

02) Há elementos que remetem à oralidade? Se sim, quais? Justifique sua resposta:

03) Transcreva um ou mais versos da música que tenha(m) lhe tocado de forma especial, explicando, se possível, tal escolha: 

04) Que sentimento a leitura do texto como um todo mais lhe transmitiu? Por quê?

05) Que mensagem o texto lhe transmitiu? Explique:

06) Diga a que classe gramatical pertence cada palavra em destaque na referida canção:

07) Como você ilustraria essa canção? Mãos à obra!

08) Elabore uma listinha com ações que cada pessoa pode fazer, diariamente, para ajudar a melhorar o mundo: