terça-feira, 31 de maio de 2016

"Apelo", do Dalton Trevisan

Apelo

         Amanhã faz um mês que a Senhora está longe de casa. Primeiros dias, para dizer a verdade, não senti falta, bom chegar tarde, esquecido na conversa do botequim. Não foi ausência por uma semana: o batom ainda no lenço, o prato na mesa por engano, a imagem de relance no espelho.

         Com os dias, Senhora, o leite primeira vez coalhou. A notícia de sua perda veio aos poucos: a pilha de jornais ali no chão, ninguém os guardou debaixo da escada. Toda a casa era um corredor deserto, e até o canário ficou mudo. Para não dar parte de fraco, ah, Senhora, fui beber com os amigos. Uma hora da noite eles se iam e eu ficava só, sem o perdão de sua presença a todas as aflições do dia, como a última luz na varanda.

         E comecei a sentir falta das pequenas brigas por causa do tempero na salada – o meu jeito de querer bem. Acaso é saudade, Senhora? As suas violetas, na janela, não lhes poupei água e elas murcham. Não tenho botão na camisa, calço a meia furada. Que fim levou o saca-rolhas? Nenhum de nós sabe, sem a Senhora, conversar com os outros: bocas raivosas mastigando. Venha para casa, Senhora, por favor.

(Dalton Trevisan)

01) O texto acima parece se enquadrar mais ao seguinte tipo textual:

(  ) texto jornalístico;
(  ) poesia;
(  ) texto científico;
(  ) carta;


 02) O objetivo principal do texto é:

(  ) declarar o seu amor à mulher;
(  ) solicitar informações;
(  ) convencer a mulher a voltar;
(  ) enfatizar a importância que a mulher tem nos trabalhos domésticos;

03) Classifique todos os adjuntos adverbiais destacados no texto:

04) Retire do texto um exemplo de vocativo:

05) Retire do texto um exemplo de interjeição:

06) Quantos parágrafos o texto apresenta? E períodos?

07) Como podemos classificar o primeiro período do texto? Por quê?

08) Analise a segunda oração do segundo período e, em seguida:

a) Classifique o sujeito da mesma, justificando:

b) Diga qual é a transitividade do verbo nela inserido, justificando da forma mais completa possível:

09) Qual a transitividade do verbo circulado no texto? Por quê?

10) Você acha que o homem amava a esposa? Comprove sua resposta com uma passagem do texto:

segunda-feira, 30 de maio de 2016

Artigo de Opinião sobre Sustentabilidade

Uma coisa grande mesmo

         Difícil falar de sustentabilidade para pessoas que não querem, não gostam e têm dificuldade de pensar no futuro. Mas a pauta do mundo hoje é essa, goste ou não, queira ou não. Porque sustentabilidade é isto: trazer o futuro para o presente. É resolver os seus problemas e realizar seus sonhos hoje sem comprometer os sonhos de quem ainda nem nasceu.
         Para quem é jovem e brasileiro, então, a dificuldade de incluir o futuro nas suas decisões é maior ainda. Vou explicar começando pelo que temos em comum: Brasil. Vivemos numa região do planeta que é muito boa e generosa com as nossas condições de vida. Para nós, humanos, para as plantas e para os animais.
         Aprendi isso no livro de Eduardo Giannetti, “O Valor do amanhã”. Ele diz que uma árvore No hemisfério norte, como por exemplo o carvalho, tem que armazenar energias no verão para atravessar o inverno, senão morre. Uma palmeira nos trópicos, onde o inverno é quente, não tem esse mecanismo de armazenagem porque não precisa.
         Isto é, nós, que vivemos nos trópicos, tendemos naturalmente a não esquentar a cabeça com o inverno, isto é, com o futuro. Daí para essa tendência virar atitude, cultura, estilo de vida, não custa nada. Conclusão: o brasileiro é cabeça fresca por natureza.
         O mesmo acontece quando temos pouca idade. Quando jovens, temos tanto para viver no presente e tanto futuro pela frente, que não temos nenhuma motivação nem espaço na cabeça para pensar no futuro. Dizem que o máximo de futuro que a maioria dos jovens consegue pensar é três ou quatro dias. Mais praticamente, o tempo da próxima balada ou o prazo para entregar o trabalho da escola.  
         Normal. De verdade, a gente só começa a pensar no futuro para valer quando casamos e temos filhos. Aí é que se começa a pensar sério na vida, fazer planos, poupar, essas coisas.
         Então, para jovens brasileiros, sustentabilidade é papo cabeça, abstrato, que só vira realidade quando vê crianças morrendo de falta de água, ursinho morrendo de falta de frio, peixe morrendo de falta de ar, floresta morrendo de falta de inteligência humana e boate fechando por falta de energia elétrica para a guitarra e o ar-condicionado.
         Estou falando isso para mostrar o tamanho do desafio para um jovem dos trópicos entender o que de fato está por trás da sustentabilidade e poder se preparar para contribuir na virada deste jogo que está pondo em risco o seu próprio futuro.
         Não adianta chorar o leite derramado, a árvore derrubada e colocar a culpa nas gerações passadas. É bola pra frente. Tem mais é que entender o que os outros não entenderam e reinventar nosso estilo de vida a partir de uma nova consciência. A nova consciência diz que o tamanho do “aqui, agora” tem que ser muito grande, tão grande que não fique nada de fora. Nenhuma criança, nenhum urso, nenhum buriti, ninguém, não importa se é do hemisfério norte ou sul, se é muçulmano ou judeu, se é do passado, do futuro ou do presente. Porque tudo é interdependente.
         É uma coisa grande mesmo. Muito maior do que o aqui, agora da minha geração, que muita gente entendeu que era pequeno e curto e acabou detonando sua saúde em poucos anos, destruindo sua vida e privando o futuro do seu talento. Muitos amigos, muitos músicos geniais foram destruídos por essa má compreensão do “aqui, agora”.
         Minha geração pagou caro para aprender, mas corrigiu o erro em tempo e colocou um big e um long na frente do here e do now. São só dois adjetivos, mas fazem toda a diferença ma hora de sonhar um sonho que não vira pesadelo, na hora de escolher uma profissão que não vira um mico.
         Vamos combinar: para sustentabilidade não existe futuro nem passado, só existe o presente, um presente eterno, um presente tão grande que só cabe na nossa consciência, e se está na consciência vira estilo de vida. Então, a saída é acordar para essa nova consciência. Como cantam Céu e Beto Villares na sua “Roda”: “Caiu na roda, ou acorda ou vai dançar”.

(Ricardo Guimarães – Revista MTV)

01) Qual o conceito fundamental que o artigo se propõe a divulgar?

02) Leia as definições de SUSTENTABILIDADE e SUSTENTÁVEL no Dicionário Houaiss, respectivamente: característica ou condição do que é sustentável; que pode ser sustentado, passível de sustentação.

a) Essas definições abarcam todos os sentidos com que o termo é utilizado no texto? Explique sua resposta:

b) O texto supõe que o conceito de sustentabilidade pode ser nebuloso para o leitor. Que estratégia é empregada já no primeiro parágrafo para garantir a eficiência da informação?

03) Ao explicar o desinteresse dos jovens brasileiros pela sustentabilidade, o autor apresenta duas justificativas:

a) Quais são elas?

b) A que característica dos jovens brasileiros cada justificativa está relacionada?

04) Releia o segundo e o terceiro parágrafos do texto.

a) O articulista afirma: “Aprendi isso no livro do Eduardo Giannetti, “O valor do amanhã”. A que informação apresentada no livro de Giannetti se refere o termo ISSO?

b) Que outro ensinamento, presente no mesmo livro, é reproduzido no artigo?

c) Quando o autor do artigo insere a referência a Eduardo Giannetti em seu texto, que tipo de argumento está usando? Que efeito sobre o leitor se espera com o uso desse tipo de argumento?

05) De acordo com o texto, as plantas e as pessoas que vivem nos trópicos se assemelham.

a) Em que se assemelham?

b) Essa ideia pode ser atribuída ao autor do livro “O valor do amanhã” ou é uma ideia do articulista que escreveu o artigo de opinião? Comente:

c) Ao definir as características das pessoas que vivem nos trópicos, o texto acaba, implicitamente, sugerindo as características de quem vive no hemisfério norte. Quais seriam elas?

d) Em sua opinião, essas características de fato se verificam? Explique sua resposta:

06) No quinto parágrafo, o que a expressão “dizem que” revela a respeito das fontes consultadas para a introdução, no texto, da ideia de que jovens só pensam no presente? Qual é a importância dos exemplos de balada e da entrega do trabalho escolar no desenvolvimento desse argumento?

07) De acordo com o que é apresentado ao longo dos parágrafos, pode-se dizer que o artigo “Uma coisa grande mesmo” se organiza em dois blocos principais.

a) O que é tratado em cada bloco?

b) Que parágrafo introduz o segundo momento?

c) A que se refere o pronome ISSO no início do oitavo parágrafo do texto?

d) De acordo com os parágrafos finais do texto, quais são as posturas que o jovem deve adotar “para contribuir na virada deste jogo que está pondo em risco o seu próprio futuro”?

08) A revista em que o artigo foi publicado dirige-se a um público jovem. Em seu texto, o articulista mostra empenho em atingir esse público? Explique:

09) O articulista faz parte do grupo com o qual se comunica? Justifique sua resposta com trechos do texto:

10) A referência a baladas e trabalhos escolares mostra a preocupação de se falar para um público leitor específico. Cite outras passagens do artigo em que os exemplos e as referências usadas também fazem parte do universo desse público leitor:

11) Além da faixa etária, que outras características podem ser associadas ao público para o qual o artigo foi escrito? Explique sua resposta:

12) O artigo de opinião tem por objetivo influenciar as ideias e o comportamento de seu leitor. Para alcançar esse objetivo, adula-o (seduzindo-o com elogios e acolhendo seus interesses e expectativas); choca-o (mostrando suas falhas e as consequências negativas de sua postura); orienta-o por meio da razão (analisando as vantagens e desvantagens de uma situação com o auxílio de dados concretos), entre outras estratégias.

a) Qual estratégia é adotada no artigo que você leu?

b) Transcreva trechos que comprovem sua resposta:

c) Em sua opinião, essa é uma estratégia eficaz para atingir o leitor?

13) Observe que o artigo generaliza o comportamento dos jovens. Em relação aos adultos, é diferente? Em relação à sustentabilidade, qual é o comportamento esperado por parte de um adulto que “pensa sério na vida, faz planos e poupa”? Esse comportamento se verifica na vida prática? Como os argumentos do texto poderiam ser alterados se o texto fosse escrito para um público leitor composto por adultos?

14) O título permite ao leitor antecipar o tema que será abordado no artigo? Por quê? Que outro título você daria?

15) Esse título seria adequado para uma notícia, uma reportagem e um artigo de divulgação científica? Explique sua resposta:

16) Transcreva do texto exemplos de frases feitas, ditados populares, frases feitas, gírias, explicando o que isso revela:

17) Releia o período que se encontra destacado no texto:

a) Identifique um desvio em relação à norma padrão do português escrito, “corrigindo-o”:

b) Esse uso está adequado a esse texto? Ele seria aceito na oralidade, por exemplo?

18) No artigo, são utilizadas algumas palavras em inglês. Isso afasta ou aproxima o artigo do público-alvo? Justifique-se:

19) O texto conseguiu o que ele queria? Justifique sua resposta da maneira mais completa possível:

20) Sobre que tema você gostaria de ler um artigo de opinião? E para de repente elaborar um? 

domingo, 29 de maio de 2016

"O verde" (Inácio de Loyola Brandão)

O verde


                   Estranha é a cabeça das pessoas.

               Uma vez, em São Paulo, morei numa rua que era dominada por uma árvore incrível. Na época de floração, ela enchia a calçada de cores. Para usar um lugar-comum, ficava sobre o passeio um verdadeiro tapete de flores; esquecíamos o cinza que nos envolvia e vinha do asfalto, do concreto, do cimento, os elementos característicos desta cidade. Percebi certo dia que a árvore começava a morrer. Secava lentamente, até que amanheceu inerte, em folha. É um ciclo, ela renascerá, comentávamos no bar ou na padaria. Não voltou. Pedi ao Instituto Botânico que analisasse a árvore, e o técnico concluiu: fora envenenada. Surpresos, nós, os moradores da sua, que tínhamos a árvore como verdadeiro símbolo, começamos a nos lembrar de uma vizinha de meia-idade que todas as manhãs estava ao pé da árvore com um regador. Cheios de suspeitas, fomos até ela, indagamos, e ela respondeu com calma, os olhos brilhando, agressivos e irritados:

 -- Matei mesmo aquela maldita árvore.

 -- Por quê?

           -- Porque na época da flor ela sujava minha calçada, eu vivia varrendo essas flores desgraçadas.

(Ignácio de Loyola Brandão)


01) “Ela enchia a calçada de cores”.  Explique o significado dessa frase, dizendo a que o pronome destacado se refere:   

02) A rua coberta de flores faz contraste com outros detalhes da cidade. Quais?

03) Mesmo quando viram a árvore inerte, sem  uma folha, os admiradores dela ainda  tinham uma esperança. Qual?

04) A vizinha de meia-idade “todas as manhãs estava ao pé da árvore com um regador”. Foi esse o fato que despertou as suspeitas dos admiradores da árvore.

a) À primeira vista, o que poderia significar esse gesto da mulher? 

b) O que ocorria, na verdade? 

05) Por que, afinal, a mulher matou a árvore? Você concorda com ela? Por quê?

06) A mulher que matou a árvore parece ser uma exceção na rua. Por quê? 

07) Que lição podemos tirar desta pequena história? Explique bem:

08) Qual o sujeito da primeira oração do texto? Classifique e justifique bem:

09) Qual a transitividade do verbo ali inserido? Justifique:

10) Identifique e classifique o sujeito dos verbos destacados no texto, justificando:

11) Que temas de redação podemos extrair do textículo?

12) Escolha um dos temas extraídos para escrever UM parágrafo dissertativo sobre ele:

13) Explique por que as charges a seguir têm a ver com o texto em questão: 



sábado, 28 de maio de 2016

ESTUPRO: o assunto que não quer parar...

Texto 01: 

Sobre o estupro coletivo: não é só porque "se fosse eu", é porque foi com ela


Se fosse sua filha. Sua mãe, irmã, tia, amiga. Se fosse você. Se. 

Eu sei que para os insensíveis é preciso usar essa técnica da projeção, jogá-los pela imaginação na cena do crime, pra ver se a empatia acontece. 

O estupro coletivo da menor de idade C.B.T.P., no dia 21 de maio, foi desumano, cruel, odioso. E real. Tem o vídeo. Os posts, os kkk,s de escárnio, os tweets, o selfie. Está tudo escancarado na nossa cara. Não tem como escapar da verdade. Aconteceu. Acontece. O tempo todo. 
Não adianta tentar voltar pra LalaLand, pro mundo de Oz, pra terra do Marshmallow cor-de-rosa. Não adianta elaborar absurdos na cabeça, tentar culpabilizar a vítima, julgar sua vida, reprovar seu comportamento. Isso é tudo manobra da mente para não aceitar que isso É REAL.

Nada vai esconder essa verdade do abuso, do machismo, da bandidagem criminosa, essa visão nojenta da mulher como objeto de posse, como brinquedo sexual, como carne para consumo. Que se perpetuará enquanto a gente não disser "BASTA!".

Há um imenso Brasil corrupto, um Brasil machista, um Brasil criminoso, que trafica, que abusa, que mata. Mas há um Brasil de pessoas desesperadas, mas ainda esperançosas, que quer lutar contra isso.

Vamos lutar. Vamos aderir. Vamos acabar com isso. Difícil? Muito. Mutíssimo, mas não impossível. Vamos pensar em lutar  contra o estupro, contra o abuso sexual de todo tipo, como um app que a gente baixa, instala e já sai usando. 

A gente tem, sim, tudo a ver com essa garota. Não precisa conjecturar ‘se fosse com você’, porque já é com você. Com você, comigo e com todos os que têm humanidade. Ela já  faz parte da nossa vida.

No museu Judaico de Berlim, no Vazio da Memória, há uma instalação com 10 mil caras sofridas feitas de ferro, que representam todas as vítimas do Holocausto. Quando você caminha sobre elas, o atrito das peças de ferro gera gritos, que ecoam pelo imenso pé direito totalmente vazio. É muito doloroso andar sobre caras, pisar naqueles rostos simulados. E aí você tem vontade de sair logo de lá, depressa. Mas quanto mais rápido tenta sair, mais gritos ecoam.

Hoje, antes de dormir, vamos deitar a cabeça no travesseiro e pensar nessa menina. E em todas as vítimas, de ontem e hoje. 

A única saída é decidir que, todos juntos, vamos lutar para impedir, ou ao menos, minimizar as vítimas de amanhã.

Abusadores. Estupradores. Não passarão.
(Rosana Hermann)


01) Você acha que há diferentes tratamentos dados quando é uma pessoa conhecida, desconhecida, próxima, distante? Por quê?

02) Qual a importância da conjunção condicional SE para o contexto do parágrafo introdutório do texto? 

03) Essa técnica citada pela autora funciona? Se sim, funciona com TODOS os insensíveis? Justifique sua resposta:

04) Copie do texto três adjetivos que sejam remetidos a um mesmo substantivo. Explicite-o, explicando seu raciocínio:

05) O que a autora utiliza como argumentos para demonstrar que ela não tem dúvida quanto ao estupro coletivo? Você concorda ou discorda dela? Comente:

06) No terceiro parágrafo, a autora utiliza dois dos três tempos verbais. Quais são eles? Qual ficou de fora? Este que ficou de fora foi com qual intenção? Explique:

07) Como, na prática, podemos dar um "BASTA!" para todos esses problemas citados pela autora no quinto parágrafo? 

08) Você concorda que existem dois Brasis? Qual é o predominante? De qual deles você faz parte? 

09) Por que o verbo destacado no texto está no singular e não no plural? Comente:

10) Que comparação a autora utiliza para mostrar que tentamos fugir depressa da dor, do incômodo, mas que isso não resolve? Posicione-se sobre isso:

11) Que mensagem o texto lhe transmitiu? 


Texto 02: 


12) Transcreva do cartaz acima um advérbio de tempo: 

13) Explique o porquê da mulher estar com a boca tapada e o que isso revela:

14) Você acredita que "a culpa NUNCA é da vítima"? Ou acha que pode haver alguma exceção, eventualmente? Comente: 

Texto 03: 


15) Que mensagem a afirmação acima transmite? Posicione-se sobre ela, expondo seus argumentos: 

16) Que metáforas foram empregadas acima? Com que intenção? Comente: 

Texto 04:


17) Explique a charge acima, explorando todos os detalhes possíveis: 

18) Acrescente frases à charge que complementem a linguagem não-verbal:

Texto 05:

19) Explique a importância da conjunção adversativa MAS para o contexto, para entendermos o que há implícito na charge acima: 

20) Substitua o MAS por "argumentos" (ou desculpas) que dificultam as soluções para determinados problemas e que acabam incentivando a impunidade: 

sexta-feira, 27 de maio de 2016

E ainda sobre o ESTUPRO...

A partir da leitura dos textos motivadores seguintes e com base nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija um texto dissertativo-argumentativo em norma padrão da língua portuguesa sobre o tema  "A CULTURA DO ESTUPRO", apresentando proposta de intervenção, que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para defesa de seu ponto de vista!

TEXTO MOTIVADOR 01:

Leio por todo lado gente pedindo punição exemplar para os estupradores.
É verdade, eles precisam ser severamente punidos; mas isso não vai mudar uma palha. Eles serão encontrados, serão presos, irão para a cadeia e todos nós, naquela parte mais perversa da alma, vamos nos sentir vingados, porque sabemos como estupradores são tratados na cadeia.
E aí?
Aí nada. Amanhã serão outros.
Enquanto o Brasil não decidir se jogar de cabeça na Educação, com E maiúsculo, nada vai mudar.
Ou o país começa a cuidar de verdade das suas crianças e dos seus jovens, e a lhes dar condições de crescer como seres humanos dignos e plenos, ou continuaremos para sempre nessa espiral de ignorância e violência.
                                                                                                                  (Cora Ronai)

TEXTO MOTIVADOR 02:


TEXTO MOTIVADOR 03: 


TEXTO MOTIVADOR 04: 




TEXTO MOTIVADOR 05:  



TEXTO MOTIVADOR 06:


Mãos à obra! Boa Produção!

quinta-feira, 26 de maio de 2016

ESTUPRO: de indignar qualquer SER HUMANO...

(Ainda mais quando ele é COLETIVO... tendo TRINTA ou mais agressores... 
Ainda mais quando um deles, com quem a pessoa conviveu, foi quem pareceu armar tudo!)

Vamos discutir um pouquinho sobre esse assunto 
tão importante para tentarmos combatê-lo?!?

Texto 01: Trinta homens

Trinta. 
Vinte e nove. 
Vinte e oito.
Vinte e sete.
Vinte e seis. 
Vinte e cinco.
Vinte e quatro.
Vinte e três. 
Vinte e dois. 
Vinte e um.
Vinte. 
Dezenove. 
Dezoito. 
Dezessete. 
Dezesseis.
Quinze. 
Quatorze.
Treze. 
Doze. 
Onze. 
Dez. 
Nove.
Oito.
Sete. 
Seis. 
Cinco. 
Quatro. 
Três. 
Dois. 
Um. 

Nenhum. 

Eu tiraria todos -- um por um -- de cima de você neste momento, irmã. Eu limparia seu corpo, tiraria o som dos seus louvidos, o cheiro deste lugar, as lembranças. Se o tempo voltasse, eu os impediria de terem saído de casa. Todos eles. 

Eu desligaria os celulares, os computadores, tiraria baterias dos carros, dos ônibus. Eu faria feitiço, veneno, poção, dor de barriga para todos. Trinta. 

Eu te levantaria daí e te levaria pra ver o pôr do sol no Arpoador, se o mundo girasse ao contrário... Mas o mundo não gira. 

Foram trinta. 

Um ex-companheiro e vinte e nove "amigos". Nenhum deles se compadeceu. Vinte e nove seres humanos toparam se unir a um criminoso. 

Trinta. 

Trinta e um agora compartilharam. Trinta e dois riram. Trinta e três justificaram. Trinta e quatro se excitaram. Trinta e cinco procuram o vídeo neste momento. 

Agora o número se torna uma projeção geométrica. A misoginia aparenta infinita, o ódio e o machismo aparentam grandiosos demais. A primeira reação do público masculino em geral é ver o vídeo. 

No entanto, quando pensei que fôssemos só nós duas, olhei para o lado e vi três, quatro, cinco. Chegaram seis, sete, oito, trinta. Em segundos fomos noventa, cem, mil, somos milhares por você.

Aquele som, aquele cheiro... Queremos que sua memória apague, mana! E que o mundo nos ouça: "A CULPA NUNCA É DA VÍTIMA". Que ecoe. Que ecoe: "Daqui vocês não passam. Não passarão." Que cada uma de nós seja porta-voz do ocorrido. Se a grande mídia não denuncia a violência contra a mulher periférica, que nossas mãos sejam denúncia. Na violência contra a mulher, todas metemos a colher. DENUNCIE. No site do Ministério Público, Polícia Federal e disque 180. Mexeu com uma, mexeu com todas. 
(Luara Colpa)
http://bhaz.com.br/2016/05/25/trintahomens/

01) Por que a autora provavelmente preferiu contar, de forma decrescente, de um a trinta no começo do texto? Ela atingiu esse objetivo? 

02) A autora poderia ter contado de um a trinta colocando em forma linear, em forma horizontal e não  listado, um abaixo do outro. Por que ela preferiu organizar desse jeito? 

03) O que você, sinceramente, sentiu ao ler cada número? Explique:

04) O "nenhum", após a contagem, lhe causou alguma surpresa? Ele quebrou a rotina? Com que intenção ele foi usado?

05) Copie do texto dois vocativos, explicando sua importância para o contexto:

06) A autora é irmã da vítima? Por que ela teria preferido usar esse recurso? Comente:

07) Copie do texto uma passagem que expressa mais claramente uma sensação de IMPOTÊNCIA por parte da autora, explicando seu raciocínio:

08) Por que a autora repete inúmeras vezes o número de agresssores? Justifique sua resposta:

09) Pra você, quem foi o principal culpado de toda essa barbárie (se é que existe UM nessa quadrilha toda!)? Além desses trinta presentes, houve mais algum? Explique-se:

10) Responda sinceramente: você assistiu ao tal vídeo? Procurou pra ver? Sentiu vontade de vê-lo?

11) Transcreva do texto uma passagem que mostra uma espécie de ESPERANÇA de combate, explicando:

12) Explique o porquê das aspas usadas na palavra destacada no texto, aproveitando para dizer se, naquele mesmo parágrafo, você as utilizaria em alguma outra passagem e por quê:

13) Explique por que algumas passagens encontram-se com letras maiúsculas:

14) Você acha que o tratamento dado ao caso seria diferente se a vítima não fosse anônima e sim uma famosa? Ou ambos terão o mesmo desfecho, a  mesma dedicação em punir os agressores? Comente e defenda o seu ponto de vista:

15) Copie do texto um ditado popular modificado, explicando-o e comparando-o com o original:

16) Apresente duas propostas de intervenção para esse problema, seguindo os moldes e as recomendações do ENEM (sei que é beeeeeeem difícil, mas... tente respeitar os direitos humanos!)

Texto 02:


17) Posicione-se sobre a afirmação acima: "Volência contra a mulher é problema seu" ou só quando ela a atinge diretamente???

18) A violência contra a mulher também é problema de HOMEM??? Comente:

19) Qual o objetivo do banner acima? Por que ele optou por apresentar uma mulher negra?

Texto 03: 


20) Usando o cartaz acima como estímulo, por você acha que o(s) agressor(es) continua(m) aprontando por aí a torto e a direito? 

21) Quem seria o sujeito da oração "Exigimos Justiça!"? Explique, morfologica, sintatica e semanticamente: 

22) Justifique o emprego do acento indicador de crase na frase: "Mulheres à luta!": 

23) O que pode ser feito para que os agressores percebam, cada dia mais, esse coletivo? Que medidas podem ser adotadas?

Texto 04: 


24) Utilizando o texto acima como base, responda: De uma forma geral, você acha que a mídia é machista e protege assassinos, usando amenizações? Se sim, o que fazer para diminuir esse tipo de comportamento? 

Texto 05: 


25) Podemos afirmar que há um certo MACHISMO na postagem acima? Por quê? 

26) Há algum fundamento em tal passagem? Ficar em casa trancafiada o tempo todo diminuiria, de fato, os números de violência? Comente: 

27) Existem muitas pessoas que pensam assim ou é um caso raro, isolado? Justidique sua resposta: 

28) Que resposta você daria à postagem acima? Crie duas: uma como homem e outra como mulher (se é que haverá alguma diferença!):

Texto 06: 


29) Posicione-se, argumentando, sobre a afirmação: "Nada justifica um estupro!":

30) Pelos dados fornecidos acima, reflita: quantos casos a mídia divulga e com a importância que deveria? O que isso revela? 

Texto 07: 


31) O que a imagem acima denuncia? Ela faz analogia a quê? Explique: 

32) Que mensagem a imagem acima transmitiu? Comente: 

Texto 08: 


33) O que a charge acima denuncia? 

34) Quem cada "diabo" pode estar representando? Comente: 

35) Existem desculpas para se estuprar alguém? Se sim, quais seriam eles? 

Texto 09: 


36) O que seria uma sociedade "patriarcal"? A nossa, de fato, é? Comente:

37) Como reverter esse quadro? (se tiver, na sua opinião, que reverter!)

38) O que o texto acima revela? Que mensagem o autor quis nos passar? 

Texto 10: 

39) Você diria que o quadro acima é real ou ideal? Por quê?

40) Se a gente tivesse que realmente incluir TODAS as opiniões, de várias pessoas, inclusive dos agressores ou agressores em potencial, como ficaria o gráfico acima? 

Vale a pena ler...

Carta aberta a Cristovam Buarque: 
o senhor vai ser coadjuvante de Alexandre Frota no MEC?

(Charge: Vitor Teixeira)

Senador Cristovam Buarque, 

Sempre tive carinho e amizade pelo senhor e sei que a recíproca sempre foi verdadeira nos muitos anos em que convivemos no PDT. 

Sei também das mágoas qua guarda em relação ao PT e a Lula. Todos sempre temos algumas e benditos aqueles que conseguem praticar os versos da Violeta Parra e deixam que o amor -- e as causas são amores, não são? -- nos "aleje tão dulcemente de rencores y violencias". 

Sempre tivemos intimidade para brincar e me recordo de um dia, daqueles tempos em que o senhor defendia a permanência provisória de Pedro Malan e Armínio Fraga no comando da economia, como forma de dar ao "mercado" a tranquilidade com a mudança de governo da sua cara de espanto quando, imitando a voz do velho Brizola, perguntei se o senhor conhecia a "Síndrome de Estocôlmo", assim mesmo, com o O fechado como ele falava, que era aquela onde o sequestrado se apaixonava pelo sequestrador. 

Era sério, mas demos boas risadas, que a alma leve é privilégio dos homens de bem. 

Hoje, porém, não dá para dar risada. 

Não vou tratar como piada a ida de Alexandre frota ao Ministério da Educação entregar, segundo ele disse, "uma pauta para a educação" no Brasil, na qual destaca-se uma baboseira chamada "escola sem partido", que diz que é para impedir a doutrinação e é para estabelecer a discriminação ideológica nos colégios e universidades. 

Aquela que eu, como aluno de escolas públicas e o senhor, como aluno e depois professor, também viu. Aquela que jogou pelos caminhos do mundo no exílio, o nosso querido Darcy Ribeiro, que sabia conviver com os índios, mas não com os selvagens de paletó e gravata. 

É este o Governo que, infelizmente, o seu voto no Senado ajudou a instalar, o que não ouve ideias generosas, mas está aberto a ouvir e acumpliciar-se às mesquinhas, encarnadas num sujeito que se notabilizou, na horizontal e na vertical, por transformar em brutalidade o que deveria ser o gesto mais delicado a unir pessoas. 

Não vou condená-lo ainda ao desprezo, que é a morte em vida, Senador, porque me lembro do que dizia Brizola ser um direito humano: o de mudar. 

Mas vou esperar que, diante desta bofetada em sua causa -- na nossa causa -- a da Educação, o senhor anuncie que seu voto será NÃO ao impeachment e não a este destino inglório do MEC. Que já foi ocupado por gente conservadora, como Gustavo Capanema, mas decente. 

E o espero para já, senador, porque a cabeça pode se confundir, mas o estômago sente na hora o que está estragado e podre.

Talvez aquele senhor musculoso e brucutu não saiba, mas não fez até hoje nenhuma cena mais pornográfica que a de hoje, "entregando propostas" ao Ministro da Educação. 

Espero, de coração, que o senhor, a esta altura da vida, não se preste a ser ator coadjuvante de Alexandre Frota.  
(Fernando Brito)
http://www.ocafezinho.com/2016/05/26/carta-aberta-a-cristovam-buarque-o-senhor-vai-ser-coadjuvante-de-alexandre-frota-no-mec/

01) Qual a intenção do autor ao criar o seu texto como se fosse uma carta? Você acha que ele a atingiu? Justifique sua resposta:

02) O que seria uma carta aberta e no que ela difere de uma carta "normal"? Quais as suas vantagens e desvantagens?

03) Copie do texto um vocativo, explicando seu raciocínio e apontando a sua importância no texto:

04) Invente uma resposta para a carta aberta, tentando responder a cada tópico e, claro, deixar bem nítida a resposta para a principal pergunta feita:

05) Localize no texto cinco substantivos próprios:

06) O autor deixa claro que não conseguiu dar risada com a participação do ator (inclusive pornô) Alexandre Frota na Educação. E você? Qual a sua opinião sincera sobre isso? Comente:

07) Observe a passagem em destaque no texto. Pode-se afirmar que há ironia nela? Por quê? 

quarta-feira, 25 de maio de 2016

Explorando CAPA DE REVISTA!


Observe a capa de revista acima e responda:

01) Você gosta de ler gibi? Quem são as personagens que aparecem na capa? 

02) O nome da revistinha é o de alguma personagem? Caracterize-a, utilizando cinco adjetivos:

03) Dos três meninos, qual deles parece surpreso com a situação? Por quê? 

04) O que você acha que os outros dois meninos fizeram? 

05) Que sentimento você acha que a menina sente? O que eles fizeram a ela? 

06) Por que os dois meninos estão com medo? O que orovavelmente aconterá a eles? 

07) O que os meninos tentaram fazer para driblar isso? Você acha que vai funcionar ou não? 

terça-feira, 24 de maio de 2016

Análise da música "A paz"


A paz

A paz invadiu o meu coração,
De repente me encheu de paz
Como se o vento se um tufão 
Arrancasse meus pés do chão,
Onde eunão me enterro mais.

A paz fez o mar da revolução 
Invadir meu destino; a paz, 
Como aquela grande explosão,
Uma bomba sobre o Japão 
Fez nascer um Japão na paz.

Eu pensei em mim
Eu pensei em ti
Eu chorei por nós...
Que contradição, 
a guerra faz 
Nosso amor em paz!

Eu vim, vim parar na beira do cais,
Onde a estrada chegou ao fim, 
Onde o fim da tarde é lilás,
Onde o mar arrebenta em mim, 
O lamento de tantos ais!

(Gilberto Gil e João Donato)


01) Qual a contradição apontada pelo texto? Explique-a bem:

02) O que você sabe a respeito da bomba que jogaram sobre o Japão? Comente:

03) Divida todo o texto em períodos e em orações:

04) Quantos períodos você encontrou no texto? Classifique-os, justificando:

05) Há quantas orações inseridas no texto? Como você pôde descobri-las?

06) Diga a função sintática das palavras destacadas no texto: 

07) Que mensagem a canção lhe transmitiu? 

segunda-feira, 23 de maio de 2016

Curta "Ensaio" (22 min)


Sinopse: Uma história de amor e carinho entre mãe e filho. Tudo o que Marina quer é ouvir Bruno, seu filho de 9 anos, dizer que a ama. Tudo o que ele quer é conseguir dizer isso a ela. Na comemoração que a escola está preparando para o Dia das Mães, Bruno vai fazer de tudo para atender às expectativas da mãe. Só que seu discurso vai surpreender mais do que se esperava.

01) Por que o curta tem esse título? Que outro título você daria?

02) Segundo o curta, que relação as flores têm com as pessoas? O que você pensa a respeito disso?

03) Qual a sua flor preferida? Como você a usaria para definir você e sua personalidade?

04) Cada criança teve que escolher uma flor para representar a sua mãe. Da escolha de que criança você mais gostou? Por quê? 

05) Por que os colegas de classe do Bruno praticavam bullying com ele? Qual a melhor solução para esse problema?

06) Por que você acha que o Bruno tinha dificuldade para dizer à sua mãe que a amava? Isso ocorre ou já ocorreu com você?

07) Hoje em dia, de um modo em geral, você acha que as pessoas têm mais ou menos dificuldade para expressar sentimentos? Justifique sua resposta:

08) Por que a tarefa proposta pela professora para o dia das mães foi interessante? O que ela permite? Qual o objetivo dela? 

09) Por que será que Marina queria tanto ouvir seu filho dizer que a amava? Por que isso parecia ser tão importante para ela?

10) Você acha que depois da apresentação do Bruno seus colegas de classe vão parar de implicar com ele? Justifique sua resposta:

11) O que você aprendeu vendo esse curta? Que recado você mandaria para o menino Bruno?

12) Mande um recado para a sua mãe ou para qualquer outra pessoa que seja importante para você, em sua vida: 

quarta-feira, 11 de maio de 2016

Exercícios sobre o Barroco

À mesma Dona Ângela

Anjo no nome, Angélica na cara!
Isso é ser flor, e anjo juntamente:
Ser Angélica flor, e anjo florente,
Em quem, senão em vós, se uniformara.

Quem vira uma tal flor, que não a cortara,
Do verde pé, da rama florescente;
E quem um anjo vira tão luzente,
Que por seu Deus o não idolatrara?

Se pois como anjo sois dos meus altares,
Fôreis o meu Custódio, e a minha guarda,
Livrara eu de diabólicos azares.

Mas vejo, que por bela, e por galharda,
Posto que os anjos nunca dão pesares,
Sois anjo, que me tenta, e não me guarda.

 (Gregório de Matos)

01) Por que o texto é um soneto?

02) A que parte da poesia do autor barroco Gregório de Matos ele pertence? Justifique sua resposta:

03) Nas duas primeiras estrofes, o poeta trabalha com duas metáforas referentes à mulher amada. Quais são elas? O que o leva a pensar assim? 

04) O autor estabelece uma oposição entre anjo e demônio, embora esta última palavra não apareça claramente no texto. Copie o verso em que essa oposição fica evidente, explicando-o: 

05) Leia atentamente o sermão de Padre Antônio Vieira a seguir:

         “O trigo que semeou o pregador evangélico, diz Cristo que é a palavra de Deus. Os espinhos, as pedras, o caminho e a terra boa, em que o trigo caiu, são os diversos corações dos homens. Os espinhos são os corações embaraçados com cuidados, com riquezas, com delícias; e nestes afoga-se a palavra de Deus. As pedras são os corações duros e obstinados; e nestes seca-se a palavra de Deus, e se nasce, não cria raízes. Os caminhos são os corações inquietos e perturbados com a passagem e tropel das coisas do Mundo, umas que vão, outras que vêm, outras que atravessam – e todas passam; e nestes é pisada a palavra de Deus, porque a desatendem ou a desprezam. Finalmente, a terra boa são os corações bons ou os homens de bom coração; e nestes prende e frutifica a palavra divina, com tanta fecundidade e abundância.”

a) Com que o autor compara a palavra de Deus? Explique a comparação: 

b) Segundo o autor, a palavra de Deus destina-se a quatro tipos de coração. Que metáfora (comparação direta) representa cada um deles?

c) Copie do texto uma frase que expressa opinião sobre a efemeridade das coisas terrenas, característica do Barroco, e explique: